Governança de dados: o que é e por que sua empresa precisa disso
Por Franco Gallegos · 22 de agosto de 2024 · 6 min de leitura
Em muitas empresas, o mesmo indicador apresenta valores diferentes dependendo de quem o calcula ou qual sistema é consultado. O faturamento do mês, por exemplo, pode ser R$ 1,2 milhão na visão do financeiro e R$ 1,35 milhão na visão comercial — porque cada área usa uma definição diferente de "faturamento". Esse problema aparentemente simples é sintoma de ausência de governança de dados, e tem consequências sérias para a qualidade das decisões e para a conformidade legal.
O que é governança de dados?
Governança de dados é o conjunto de políticas, processos, responsabilidades e padrões que garantem que os dados de uma organização sejam gerenciados de forma confiável, segura e alinhada aos objetivos do negócio. Ela responde a perguntas como: quem é o responsável por cada conjunto de dados? Como os dados são definidos e padronizados? Quem pode acessar quais dados? Por quanto tempo os dados são retidos? Como garantir que os dados são precisos e atualizados?
Em outras palavras, governança de dados transforma os dados de um recurso caótico em um ativo corporativo gerenciado.
Componentes essenciais da governança de dados
Uma estrutura de governança de dados completa envolve quatro pilares principais:
- Catálogo de dados: Um inventário centralizado que descreve todos os ativos de dados da empresa — onde estão, o que significam, quem os produziu e quem os utiliza.
- Qualidade de dados: Processos e controles para garantir que os dados sejam precisos, completos, consistentes e atualizados. Inclui regras de validação, monitoramento de anomalias e processos de correção.
- Stewardship de dados (Responsabilidade pelos dados): Definição clara de "donos de dados" — pessoas responsáveis por garantir a qualidade e o uso adequado de cada conjunto de dados.
- Políticas e conformidade: Regras sobre privacidade, segurança, retenção, acesso e uso ético dos dados, incluindo conformidade com legislações como a LGPD.
LGPD e governança de dados: uma conexão obrigatória
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), em vigor desde 2020, transformou a governança de dados de uma boa prática em uma obrigação legal para empresas brasileiras. A lei exige que as organizações saibam exatamente quais dados pessoais coletam, com qual finalidade, por quanto tempo são armazenados e quem tem acesso a eles. Exige também que implementem medidas de segurança adequadas e sejam capazes de responder a solicitações de titulares de dados (acesso, correção, exclusão).
Sem uma estrutura básica de governança, é praticamente impossível responder a essas exigências de forma consistente. A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) pode aplicar multas de até 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração.
Como implementar governança de dados na prática
Implementar governança de dados não precisa começar com um projeto grandioso. Para a maioria das empresas, recomendamos uma abordagem gradual:
- Mapeamento inicial: Identifique os principais conjuntos de dados da empresa — onde estão, quem os usa e quais são os problemas de qualidade mais frequentes.
- Definição de donos de dados: Para cada conjunto de dados crítico, designe um responsável que seja o ponto de referência para dúvidas sobre definição e qualidade.
- Glossário de negócio: Documente as definições acordadas para os principais termos e indicadores do negócio. "Faturamento bruto" ou "faturamento líquido"? "Cliente ativo" significa o quê exatamente? Esse glossário resolve boa parte dos conflitos de interpretação.
- Regras básicas de acesso: Defina quem pode ver, editar e excluir cada tipo de dado, especialmente dados pessoais.
Ferramentas de governança de dados
Para empresas no ecossistema Microsoft, o Microsoft Purview é a solução mais natural, pois oferece catálogo de dados, classificação automática de dados sensíveis, mapeamento de linhagem e gerenciamento de políticas integrado ao Azure. Para ambientes multi-cloud ou empresas que preferem soluções especializadas, o Alation e o Collibra são referências no mercado. Para empresas menores que buscam uma solução mais acessível, até um documento colaborativo bem estruturado (glossário no Confluence ou SharePoint) já representa um avanço significativo.
Governança de dados é um processo, não um projeto
Um erro comum é tratar a governança de dados como um projeto com início e fim. Na realidade, é uma jornada contínua. Os dados evoluem, os sistemas mudam, novas fontes são adicionadas, a legislação avança. Empresas que tratam a governança como processo contínuo, com revisões periódicas e responsabilidades claras, constroem uma fundação sólida para toda a sua estratégia de dados.
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Solicitar demonstraçãoPerguntas frequentes
- O que é um catálogo de dados e por que é importante?
- Um catálogo de dados é um inventário organizado dos ativos de dados da empresa, incluindo metadados, descrições, donos, localização e relacionamentos entre dados. Ele facilita a descoberta de dados, melhora a colaboração entre equipes e é fundamental para a governança, pois garante que todos saibam quais dados existem, o que significam e quem é responsável por eles.
- Como a LGPD impacta a governança de dados nas empresas?
- A LGPD exige que as empresas brasileiras saibam quais dados pessoais coletam, onde estão armazenados, por quanto tempo são retidos, quem tem acesso e para qual finalidade são utilizados. Uma boa governança de dados facilita a conformidade com a LGPD, pois mapeia e controla exatamente essas informações, reduzindo o risco de multas e sanções da ANPD.
- Qual é a diferença entre governança de dados e gestão de dados?
- Governança de dados define as políticas, regras, responsabilidades e padrões para o uso dos dados — o "o que deve ser feito". Gestão de dados é a execução prática dessas políticas — o "como é feito". A governança é estratégica; a gestão é operacional. As duas são complementares e necessárias para uma empresa verdadeiramente orientada a dados.